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Expandindo cidades de forma ordenada usando conceito de Hierarquia Viária

Toda cidade começa por uma rodovia ou será que o fato de haver uma cidade é que fez com que a infraestrutura se tornasse necessária?


Essa é uma daquelas questões do tipo "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha" que leva muitos engenheiros e entusiastas da área de transportes a longas conversas filosóficas. No entanto, uma coisa é fato, independente de quem veio primeiro, a expansão da cidade de forma ordenada e planejada pode facilitar o fluxo de pessoas e bens, garantindo maior qualidade de vida, do que quando feita desordenadamente.


E é justamente neste ponto que o conhecimento da Hierarquia Viária, em conjunto com a aplicação das diretrizes do conceito de Desenvolvimento Orientado ao Transporte e cidades 15 minutos, desponta como grande aliado na busca por cidades mais acessíveis, democráticas e humanas.


Mas afinal, o que é Hierarquia Viária e como ela pode ser tão importante?


Hierarquia Viária nada mais é do que a definição das funções que cada tipo de via exerce na cidade e a forma como interagem entre si, entre as facilidades urbanas e entre as áreas a que servem. Portanto, é um princípio que auxilia os órgãos públicos, responsáveis, a delimitarem as restrições de acesso e tráfego, ajudando na mitigação de conflitos entre os diferentes meios de circulação que podem concorrer pelo uso das vias.


De acordo com Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro (https://www.ctbdigital.com.br/arquivos/anexo_I.pdf) as vias possuem a seguinte classificação funcional:


  • VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO - aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível;

  • VIA ARTERIAL - aquela caracterizada por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade;

  • VIA COLETORA - aquela destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito dentro das regiões da cidade;

  • VIA LOCAL - aquela caracterizada por interseções em nível não semaforizadas, destinada apenas ao acesso local ou a áreas restritas.


Considerando a classificação indicada e conforme o professor Hugo Pietroantonio da USP, é possível perceber que a facilidade de acesso e de percurso, ou seja, a facilidade com que uma via pode ser acessada e pode desenvolver o fluxo de tráfego respectivamente, altera-se entre as funções. Logo, quanto menos acessível e com maior facilidade de percurso, mais próxima às características de vias arteriais e expressas (de trânsito rápido), enquanto que o contrário caracteriza vias coletoras e locais.



Vale destacar que para a completa aplicação da hierarquização das vias faz-se necessário a compatibilidade de suas funções com o uso do solo (zoneamento) que se almeja para a expansão urbana. Ainda, investimentos em calçadas, passeios, iluminação, faixas exclusivas para o transporte público, sinalização adequada e garantia da acessibilidade para o público PCD são tão ou mais importantes no momento de se implantar um novo espaço urbano.


Além disso, a classificação mencionada é a mais básica e clássica existente, porém estados e municípios podem sentir necessidade de ampliarem tais classificações, buscando distinguirem as características de cada via por mais fatores, como por exemplo, cobertura geográfica (diametral, radial ou perimetral) ou pelo físico (ciclovias, vias exclusivas para pedestres etc). Estas medidas buscam melhorar o entendimento do funcionamento da cidade, aumentando o controle de seu planejamento e tendo por objetivo o alcance de um sistema de mobilidade mais eficiente.


Percebam, portanto, que sistemas convencionais de ônibus, ao se valerem de serviços complementares, como os serviços de transporte coletivo sob demanda, passam a ter maior capacidade de atendimento, pois podem passar a disporem de veículos menores, mais adequados a vias locais, acessando seus passageiros com maior proximidade e os deixando em vias coletoras, tanto para que possam se integrar a linhas metroviárias, quanto a linhas troncais do serviço convencional, ou até mesmo a um sistema BRT.


Estas integrações, que também podem incluir serviços de bicicletas compartilhadas, quando executadas em uma única plataforma, com possibilidade de pagamento por todos os serviços, de forma digital, dentro da mesma plataforma, configuram o que o setor chama de Mobilidade como Serviço (Mobility as a Service - MaaS). Este é o objetivo de crescimento da On.I-Bus e iremos tratar deste assunto em breve, então continue acompanhando o blog.