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Modelagem e Simulação no Planejamento de Transportes

O planejamento de transportes sempre foi uma matéria de impacto em inúmeras vidas, uma vez que o ato de se deslocar é o que de fato conecta cada indivíduo às outras atividades. Portanto, realizar a tomada de decisões tão importantes e complexas de forma mais acurada e com menor tempo de resposta possível é algo de suma relevância para os agentes do setor.


Neste sentido, o uso de modelagem e simulação avançou ao longo dos anos, principalmente após o advento da computação, trazendo maior assertividade e aumentando o poder de previsão e, consequentemente, antecipação de ações mitigadoras de problemas na área de transportes.


Mas o que significa modelar e simular? Onde são aplicadas? Quais os tipos e níveis existentes? O Brasil faz uso?


Pois bem, modelar nada mais é do que representar a realidade de forma simplificada. Logo, uma maquete arquitetônica é um modelo, chamado modelo físico. Em transportes, estes modelos são matemáticos, formados essencialmente por algoritmos que tentam traduzir o que é visto no mundo real em expressões algébricas.



E onde entra a simulação? Então, simular é imitar respostas reais a eventos sucessivos ocorridos em um modelo ao longo de um período. Logo, a simulação permite que sejam estudados diferentes comportamentos devido às alterações impostas às variáveis do modelo utilizado, assim antevendo possíveis reações e buscando soluções adequadas de antemão, reduzindo por consequência riscos e custos.


Desta forma, é possível aplicar modelagem e simulação para entender os mais diversos comportamentos e encontrar diferentes soluções para inúmeros tipos de problemas de transporte, sejam estes urbanos ou regionais. Pode-se pensar por exemplo em um cruzamento movimentado, onde ocorrem muitos acidentes e há grandes congestionamentos. Algumas soluções podem envolver ou não semáforos, rotatórias, semáforos com faixa direita livre, viaduto, enfim existem muitas opções, como saber qual seria a mais adequada?



Estudando o local e fazendo algumas pesquisas se torna mais fácil o uso dos dados coletados para desenvolvimento da modelagem e consequente simulação. Com isso, verificar cada solução e analisar os resultados acaba por ser um trabalho menos custoso e garante uma decisão rápida e bem mais precisa sobre qual medida adotar.


Cabe destacar a informação "estudando o local e fazendo algumas pesquisas". Este destaque justifica-se pela importância de entender o contexto do problema, uma vez que modelar e simular não é igual receita de bolo que pode ser replicada em todos os locais. Portanto, para cada situação, um modelo diferente, e parâmetros de simulação diferentes, aderentes à realidade observada e ao nível estratégico de observação.


Sendo assim, a depender do nível estratégico, da abrangência geográfica e das características observadas, alguns tipos podem ser adotados:


1) Macrossimulação - utilizada para estudos estratégicos em que o maior interesse está no fluxo de tráfego, podendo ter as vias e suas conexões representadas de forma mais simplificada. Usualmente os resultados de interesse se relacionam a quantidade de demanda total em determinados eixos de transportes;


2) Mesossimulação - utilizada para estudos de pelotões, podendo ser tático ou estratégico. Análises de fluxos semafóricos em corredores, por exemplo, normalmente são feitos por meio deste tipo de modelagem;


3) Microssimulação - a versão de modelagem e simulação que mais se aproxima de um videogame! Focada no comportamento individual, necessita de maiores detalhamentos na representação de vias e conexões, além de pesquisas mais específicas, buscando identificar principalmente impactos operacionais. A situação do cruzamento mencionado anteriormente se enquadra neste tipo de modelagem.



Nota-se então como é importante conhecer bem o problema e seu contexto antes de começar o desenvolvimento do modelo, já que para cada nível um tipo se ajusta melhor. Logo, antes de saber como responder, é natural que primeiro se saiba o que perguntar. Além disso, antes de simular é muito mais importante saber como modelar, pois para simular existem inúmeros softwares disponíveis no mercado. No entanto, nenhum software irá fornecer respostas acuradas sem um modelo aderente, ou seja, calibrado com a realidade que ele busca representar.


Assim, no mínimo tem-se que realizar 05 etapas para que o planejamento seja bem sucedido:


1) Identificação do problema;

2) Pesquisa e levantamento de dados;

3) Modelagem;

4) Calibração;

5) Simulação de Cenários e Análise de Resultados


E a boa notícia é que o Brasil já vem atuando com este tipo de ferramenta há alguns anos! É o caso dos Planos Estaduais de Logística e Transporte, dos Planos de Mobilidade Urbana, dos Estudos de Impacto Ambiental, dos Estudos de Tráfego e Transporte Público em geral, bem como do Plano Nacional de Logística, só para mencionar alguns.


Então da próxima vez que estiver diante de uma obra envolvendo transporte, saiba que aquela solução provavelmente passou por um estudo aprofundado envolvendo modelos complexos e simulações computacionais.